Pretensiosamente alguém poderia ser um poeta só pelo seu estado contemplativo ou pela um hábito de escrever (estranhamente). Eu extraordináriamente posso dizer que meu coração, talvez comprometido, talvez viúvo, pede-me alguns versinhos ou imaginações. É uma triste alternativa que não me serve de guia! Todavia, essa tão tosca e incomum mania me traz uns choques de antigas paixões em forma de pobres palavras que intencionalmente falam tristes e aborrecidas.
Assim, como dizem que a vida é como um livro, negro para uns e dourado para outros, se eu pudesse escrevê-los os faria de uma forma que nas melhores páginas abrissem bem no meio parênteses angustiosos e sombrios.
Não quero aqui dizer que sou um poeta, nunca quiz sê-lo, já que me renderia alguns amores aborrecidos e outros fingidos. Se bem que me dariam boas histórias de "amores prostituídos", mas não, não....
"non, non, il n'est point d' âme un peu bien située
Qui veuille d' une estime ainsi prostituée".
Mas há quem goste de se debruçar em vários corpos... vários amores...vai ver que só assim a dor da perda nem é sentida, mas também só assim o amor se banaliza.
Bem, e assim se vai...como não se sabe quando um capítulo termina ou começa
talvez eu tente intensificar ao máximo as coisas: os amores... os aborrecimentos e assim, novamente, nova paixão.
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
ao belo prazer
Como todo infeliz decidi vomitar tudo aquilo que se encontrava indigesto na minha cabeça. Sei lá o que eu ando pensando, acho que tomei muitas pílulas e doses de ilusão, romantismo, idealismo... e lá se vai. Mas é assim todos os dias, vivo me embriagando com pensamentos tolos que me causam um tremenda ressaca. E como muitos já experimentaram colocar o dedo guela a abaixo, faço o mesmo para aliviar a mente. Vá lá que alguém se embriague também.
Assim, como um bom citador, Baudelaire me entenderia:
"É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira'."Charles Baudelaire
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